Para mim, escrever é desprezar-me; mas não posso deixar de escrever.
Escrever é como a droga que repugno e tomo, o vicio que desprezo e em que vivo.
Há venenos necessários, e há-os sutilissimos, compostos de ingredientes da alma, ervas colhidas nos recantos das ruínas dos sonhos, papoulas negras achadas ao pé das sepulturas [...], folhas longas de árvores obscenas que agitam os ramos nas margens ouvidas dos rios infernais da alma.
In Livro do Desassossego
Fernando Pessoa
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