domingo, 29 de agosto de 2010

Grito


Não ouço o silêncio
repouso na infinitude da solidão
cravo os punhais que deixaste em meu corpo
onde as memórias persistem
jardins onde rosas negras florescem
em mim esse ardor angustiante
aroma do medo que se esconde nas esquinas
vela o meu sono esse anjo
pacientemente sorri-me
escorre o sangue pelas mãos
no meu ultimo grito
acordo pelo fogo extinto
apenas o sonho
olho-te nas sombras do quarto
e o teu rosto lembra-me que a penumbra em mim persiste.

Dulce Antunes

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