domingo, 29 de agosto de 2010

A cinza da palavra


A cinza da palavra
Tenho em mim a chama
que me queima o peito
arde em mim o fogo
das palavras vãs
como pedras da calçada
que escuto em silêncios.
Em lenta agonia
morre minha alma
em folhas vazias
onde despojo
meus tristes versos.
Tenho em mim
a ânsia do poeta
que nas solitárias auroras
respira a cinza da palavra
que lhe atormenta a noite.
Tenho em mim a vaidade
o sonho o poema
dele bebo o veneno que me
alimenta o corpo
dele o perfume que nas veias
me transforma em vida.
Divina cinza no rasto da palavra

que me ilumina o dia.

Dulce Antunes

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