
Digam que foi mentira...
Que não sou ninguém...
Que atravesso as ruas da cidade abandonada, fechada como a boca onde não encontro nada,
não encontro respostas para tudo o que pergunto.
Eu não vivi ali.
Eu não vivo aqui.
Eu não viverei em tempo algum,
em lugar algum.
Este homem que pensou,
com uma pedra na mão,
viu transformá-la num pão,
viu transformá-la num beijo.
Este homem que parou no meio da sua vida.
E se sentiu mais leve que a sua própria sombra.
Mas isso que importa!
Se estou aqui abrigado nesta porta,
a ver a solidão da noite,
a ouvir a chuva que cai do céu,
uma melodia de silêncio que ninguém mais ouve senão eu.
Chove...
Não tenho medo e vou enfrentar, vou em frente.
A água percorre o meu corpo, entranhando-se em meus ossos,
com uma sensação de liberdade.
Onde os candeeiros da rua tremem a cada relâmpago vindo do céu.
onde o som da chuva parece uma orquestra bem afinada.
Mas é do destino de quem ama ouvir um violino até na lama.
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